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Resistência Camponesa
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Camponeses retomam suas terras e são ameaçados por fazendeiros
Escrito por LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental   
Qui, 06 de Novembro de 2008
No início desta semana, camponeses do Acampamento Terra Boa retomaram suas terras na linha C-100, do município Rio Crespo. Na quarta-feira duas caminhonetes lotadas de pistoleiros foram enviadas pelos fazendeiros que se dizem donos da área. Estão acampados homens e mulheres de todas as idades que lutam pelo sagrado direito a um pedaço de terra para trabalharem e criarem seus filhos dignamente. Há vários meses que eles enfrentam a enrolação do Incra e as ameaças e ataques de pistoleiros a mando de um consórcio de fazendeiros bandidos formado para perseguir e expulsar os camponeses.

O Sr. José Pierre Matias, que se diz dono da área e de outras 5 áreas vizinhas, foi o mandante de uma ataque contra o Acampamento Terra Boa no último 21 de abril. 18 pistoleiros invadiram o Acampamento fortemente armados e humilharam os camponeses, inclusive mulheres e crianças. Eles ameaçaram fazer uma matança se os acampados não saíssem da área. Os pistoleiros ainda seqüestraram por algumas horas dois camponeses da área vizinha Lamarquinha. Bateram com a coronha de uma carabina no rosto de um deles, deixando-o muito machucado e apontaram a arma no peito do outro camponês e ameaçaram matá-lo. Os pistoleiros atiraram no rumo dele, mas sem acertar. Sua esposa que assistia tudo de longe ficou aterrorizada pensando que ele estava morto.

Comenta-se na região que José Pierre, com medo de perder a terra para os camponeses, vendeu-as para o Sr. Ernandes. Ele é albergado, por isso quem está assumindo a área de fato é seu irmão , que ameaçou os camponeses "Não sou o Pierre, vou tirar vocês eu mesmo, não vou chamar polícia, não".

Ainda somou-se ao bando, o Sr. Chaule, um dos três maiores madeireiros de Cujubim, que escondeu na área do Acampamento Terra Boa alguns de seus bois que estavam em áreas de reservas, os chamados "bois piratas". Ele é conhecido em Cujubim como um filhinho-de-papai que dirige em alta velocidade pelas ruas da cidade para se mostrar. Uma funcionária do Incra falou para camponeses do Terra Boa que Chaule é perigoso.

O Incra sabe disto tudo e mais um pouco, mas não fazem nada. Em uma reunião com camponeses em Porto Velho neste mês o próprio Incra confirmou que a área não tem nenhum documento regularizado.

Mesmo assim os fazendeiros estão explorando a área. Camponeses viram na mata várias madeiras piquetadas (marcadas para serem extraídas). E em setembro de 2008 começou uma movimentação na sede da fazenda para semearem capim.

O Acampamento Terra Boa fica numa área de vários Burareiros que são pedaços de terra com cerca de 400 alqueires que o Incra concedeu a fazendeiros lá pelos anos de 1970, que passavam a ter o direito de exploração, mas não de posse. Muitos pegaram gordos financiamentos do governo para produzir nas terras, mas a maioria delas não possui uma única benfeitoria, o que retira qualquer direito destes fazendeiros sobre as mesmas.

O Acampamento recebe apoio da Área Lamarquinha, pois todos sabem que o que faz desenvolver um lugar são as pessoas vivendo e trabalhando. Os camponeses do Terra Boa passaram vários meses acampados em um lote cedido por um camponês do Lamarquinha. Os camponeses do Terra Boa ajudaram os companheiros do Lamarquinha a conseguir uma escola para as crianças, que foi construída pelos próprios camponeses com o apoio de pequenos madeireiros. Um ajuda o outro.

Conclamamos mais apoio de todos os camponeses, pequenos comerciantes, estudantes e pessoas democratas de Rio Crespo, Cujubim e Ariquemes, de todo o estado e país. Temos que denunciar a inoperância do Incra e Ouvidoria Agrária e cumplicidade com ações criminosas dos fazendeiros José Pierre, Ernandes, Nô e Chaule. Nossa luta firme, organizada e ampla pode impedir mais um massacre de camponeses em Rondônia e pode garantir a terra a dezenas de famílias.

Queremos avisar que qualquer coisa que aconteça com qualquer um dos camponeses do Acampamento Terra Boa é de total responsabilidade do Incra e da Ouvidoria Agrária e não ficará impune!

O povo quer terra, não repressão!
Regularização imediata das terras do Acampamento Terra Boa!
Punição imediata para os fazendeiros criminosos José Pierre, Ernandes, Nô e Chaule!
Viva a Revolução Agrária!


LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Jaru, 04 de novembro de 2008