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Latifundiário enterra 700 toneladas de manga em Petrolina
Escrito por Resistência Camponesa   
Sex, 06 de Fevereiro de 2009
O “agronegócio”, na verdade o latifúndio de novo tipo, revela toda sua essência reacionária nos momentos de crise. Idolatrado pelo gerente lambe-botas da reação, Luis Inácio, o agronegócio foi elevado a carro-chefe do desenvolvimento nacional. Bandidos latifundiários foram transformados pela contra-propaganda dos monopólios de comunicação em “empresários modernos e geradores de emprego”. As arcaicas oligarquias de usineiros do nordeste foram eleitas pelo serviçal Lula a “heróis nacionais”. Mas os “fatos são teimosos”, e a realidade está aí para comprovar que o “agronegócio” nada tem de economia nacional, sendo apenas extensão da cadeia de exploração das potências imperialistas que se utilizam do solo nacional e da força de trabalho brasileiras para produzir mercadorias baratas e abastecer seus mercados consumidores.

A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco está sendo atingida em cheio pela crise de superprodução que atinge o sistema capitalista mundial. Tendo quase a totalidade de sua produção voltada para o mercado externo, particularmente uva e manga, a desvalorização do preço das frutas internacionalmente está gerando demissões e falência de pequenos e médios produtores.

A fruticultura irrigada abarca 120 mil hectares no Vale do São Francisco, em 8 cidades baianas e pernambucanas. A produção das principais culturas e a área irrigada correspondente no VSF é de:

Manga: 462.000 t/ano
23.300 hectares
Uva: 241.300 t/ano 12.100 hectares
Goiaba: 112.000 t/ano 3.500 hectares
Banana: 60.000 t/ano 2.800 hectares
Acerola: 22.500 t/ano 1.100 hectares
Coco Verde: 6 milhões 2.300 hectares

O Distrito de Irrigação Perímetro Senador Nilo Coelho possui 25 mil hectares de terras irrigadas nos municípios de Casa Nova (BA) e Petrolina (PE). Neste Distrito existem 2.292 produtores, sendo 44 grandes produtores, 178 médios e 2.070 pequenos irrigantes. A crise tem impossibilitado os pequenos produtores de arcar com as altíssimas taxas de energia e água cobradas pelo Distrito. Até a primeira semana de janeiro houve um crescimento de 13% da inadimplência, que em dezembro atingira 20%. 160 lotes já tiveram o fornecimento de água cortados. E a direção do Distrito avalia que o verdadeiro impacto da crise sobre a inadimplência se dará agora no mês de fevereiro.

Mas o resultado mais imediato da crise é o crescimento do desemprego. A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco chega a empregar no pico da produção 240 mil trabalhadores. No período da entre safra cerca de 40 e 50 mil trabalhadores são demitidos. Em declaração a reportagem do Jornal do Commercio, o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, estima que o número de desempregados atingirá 90 trabalhadores e trabalhadoras. Somente em dezembro o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho oficializou mais de 2.000 desligamentos na agropecuária em Pernambuco. Na verdade, o tão defendido agronegócio de Lula foi o setor que mais demitiu desde o estouro da crise, já são 184,9 mil trabalhadores agrícolas demitidos.

Além de demitir, pagar baixíssimos salários e explorar de forma vil centenas de milhares de sertanejos, que migram para o Vale durante a safra, os latifundiários da fruticultura cometem crimes ainda mais horrendos. Fazendo lembrar a queima de sacas de café durante o governo Getúlio Vargas, os latifundiários do Vale estão literalmente destruindo a produção de frutas. A empresa Sechi Agrícolas enterrou, sim exatamente isto, 700 toneladas de manga! Já o latifundiário João Fiacadori deixou 30% de sua produção de mangas apodrecer no chão. Todo este desperdício numa das regiões mais pobres do país e que está, neste momento, sendo atingida por um forte período de seca. Os latifundiários preferem destruir sua produção do que distribuir para as massas, pois se preocupam mais com a cotação de seus produtos do que com a fome dos pobres que eles exploram todas as safras.

Mas as massas estão fervilhando. Já aconteceram protestos contra as demissões e as tomadas de terra aumentarão no próximo período. O povo, a sua maneira, encontra soluções próprias para as crises do sistema capitalista. Soluções estas que passam inevitavelmente pela destruição deste modo de produção irracional, que destrói alimentos enquanto milhões passam fome, e pela construção do socialismo, regime social dos operários e camponeses, onde vale o lema “quem não trabalha não come” e sendo uma economia planificada, voltada para as necessidades humanas e não para o lucro máximo, elimina as possibilidades de crises de superprodução relativa como esta que estamos vivendo.