Jornal Resistência Camponesa: Edição nº 15

 Editorial

 Carta de um morador de Jacinópolis

 Situação da luta pela terra

 Quem são os bandidos em Jacinópolis?

 Camponeses impulsionam a Revolução Agrária

 Camponeses criam as Assembléias do Poder Popular 
 Resistência iraquiana:
4 anos de guerra pela libertação

 Comitê de Defesa quer indenização para todas as vítimas

 Companheiro Zé 200, presente!

 Ruço e Joel são inocentados!
Cai por terra 4 anos de injustiça!
 



Editorial
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

Desde os meses de janeiro e fevereiro a imprensa a serviço do latifúndio desatou uma série de denúncias mentirosas em que diziam sobre grupos armados de camponeses, treinamento de guerrilha, crimes ambientais etc. O mesmo discurso fascista que utilizam as tropas americanas para invadir o Iraque, de que o povo tem armas, é utilizado para justificar as agressões de todo tipo contra o povo pobre em Rondônia. 

O objetivo era preparar terreno para que a polícia e os bandos armados do latifúndio atacassem o movimento camponês. Operações militares foram realizadas em várias áreas de conflito agrário, tratando como crime um problema social. A polícia aterrorizou, torturou e interrogou pessoas inocentes, trabalhadores cujo único “crime” é serem pobres e lutarem por seus direitos.
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Carta de um morador de Jacinópolis
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

Em abril de 2007 a polícia atacou mais uma vez o distrito de Jacinópolis, para apurar as denúncias mentirosas feitas por pessoas que não querem que o camponês tenha seu lugar, fazendeiros da região como Catâneo, com 19 fazendas só em Rondônia, Geraldo Coleto, que possui 5 fazendas grandes, uma delas na região de Campo Novo e Nova Mamoré, tem 45 mil alqueires de terras griladas da União.

Para proteger suas terras matam sem piedade, pistoleiros e policiais ganham por cabeça, ganha mais quem mata mais, até acabaram com um projeto de cidade que existiu no final da BR 421 que se chama Jacilândia, um lugar muito bonito com cachoeiras e rios que poderia ser um ponto turístico. Hoje só existem marcas do terror, casas velhas abandonadas e algumas pessoas assustadas. Mais de 60 pessoas foram assassinadas em um só dia e jogadas no rio Jaci-Paraná.

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Situação da luta pela terra
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

Incra é só enrolação



 Assembléia dos camponeses do Sol Nascente
 Assembléia dos camponeses do Sol Nascente
No dia 25 de abril realizou-se no Incra em Porto Velho uma audiência com o superintendente Olavo Nienow e Ouvidor Agrário Gercino José da Silva. Participaram 11 companheiros da LCP representando as áreas de Cujubim, Rio Crespo, Theobroma e Ariquemes. A reunião teve como objetivo discutir os despejos que ameaçam várias áreas. Tanto o  Ouvidor Agrário como o Incra disseram que nada podem fazer.

Na região de Theobroma apenas o burareiro 243 deverá ser regularizado. Como disse um companheiro “do bolo não saiu nem a migalha”.

Outra questão polêmica foi em relação ao acampamento Lamarquinha, área ocupada pela LCP e que o Incra manobrou para colocar famílias ligadas ao MST, inclusive pagando transporte delas, com isso o Incra quis jogar um movimento contra o outro. Para não gerar conflito com a massa os companheiros da LCP aceitaram ser assentados em outra área na região de Rio Crespo, inclusive por que as famílias do MST estavam sendo jogadas de um canto para outro há mais de 10 anos. Só que o Incra prometeu assentar as famílias e no entanto chegou a dar 4 lotes na mesma área para fazendeiros. Na reunião a posição dos representantes da LCP foi de não fazer mais acordos com o Incra, pois sempre deixa de cumprir com sua palavra.
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Quem são os bandidos em Jacinópolis?
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

 Jacinópolis: cidade construida pelos camponeses
 Jacinópolis: cidade construida pelos camponeses
Jacinópolis é um distrito do município de Nova Mamoré, distante cerca de 370 km de Porto Velho e 75 km de Buritis. Junto de Campo Novo, Rio Branco, Buritis, Rio Pardo, Minas Novas, União Bandeirantes e Jacilândia formam uma extensa região de conflitos agrários que já duram anos sem que a principal reivindicação dos milhares de camponeses que moram e trabalham na região seja resolvida. Ou seja, a regularização das terras.

Nos meses de fevereiro e março de 2007 os jornais Folha de Rondônia e Estadão do Norte (conhecidos por suas vinculações com latifundiários) publicaram matérias mentirosas com os  títulos “LCP aterroriza em Jacinópolis” e “LCP dita leis em Rondônia” onde diziam que a LCP invade e desmata áreas ambientais, que realiza “treinamento de guerrilha” e a população da região se sente “aterrorizada”. Os jornais se pautaram pela falta de verdade e deturpação dos fatos e inverteram propositadamente a realidade para encobrir os crimes do latifúndio contra os camponeses que vivem naquela região.
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Camponeses impulsionam a Revolução Agrária
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

Camponeses organizados pela LCP tomam as terras da Fazenda Condor que tem 45 mil alqueires 
Camponeses organizados pela LCP tomam as terras
da Fazenda Condor que tem 45 mil alqueires
A luta pela terra tem se acirrado nos últimos anos não só em Rondônia, mas em todo o Brasil. A situação de miséria, fome e a falta de trabalho empurram as famílias para tomar terras. A região noroeste do estado que compreende União Bandeirantes, Rio Pardo, Minas Nova, Buritis, Campo Novo, Rio Branco, Jacilândia e Jacinópolis concentra milhares de camponeses que vieram para Rondônia em busca de terra nas décadas de 70 e 80.

Estas famílias já passaram por vários lugares e foram expulsas pelo latifúndio tendo que ir em busca de seu sonho cada vez mais longe, hoje não tem mais para onde ir. As terras desta região são palco de disputa entre as Ong´s estrangeiras com seus parques ambientais, latifundiários e camponeses.
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08 de março: Viva o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora!
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

No dia 08 de março deste ano o MFP – Movimento Feminino Popular convocou um ato em Jaru para celebrar esta data tão importante para os povos em todo mundo e marcar seu verdadeiro significado. O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, o próprio nome diz, é o dia das mulheres que trabalham, labutam diariamente para sustentar sua família, criar e educar seus filhos, para erguer as maiores obras, fazer funcionar as máquinas nas fábricas, colocar o alimento na mesa de cada casa deste Brasil. É o dia das mulheres do povo, fortes, guerreiras, que com os homens do povo produzem toda riqueza, carregam este país nos ombros e não se rendem, lutam para derrubar este sistema opressor onde os que mais trabalham são os que menos têm e os que menos trabalham são os que mais têm.
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Resistência Iraquiana: 4 anos de guerra pela libertação
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

Os EUA estão atolados no Iraque desde março de 2003 quando impulsionados por uma grave crise econômica invadiram o país para controlar principalmente o petróleo da região. De lá para cá já assassinaram cerca de 650.000 iraquianos, os ianques já sofreram mais de 50.000 baixas e gastaram mais de 350 Bilhões de dólares.
Carro de combate ianque é apedrejado pelo povo 
Carro de combate ianque é apedrejado pelo povo

 Iraquiano comemora mais uma ação vitoriosa contra as tropas invasoras
Iraquiano comemora ação vitoriosa contra invasores

Enviaram mais 21.000 soldados para o Iraque e até então, estão longe de conseguir derrotar a heróica resistência iraquiana. Como não conseguem vencer a guerra, o que fazem é manter o país conflagrado para continuar com a permanência de suas tropas enquanto promovem o saque das riquezas, principalmente o petróleo.
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Comitê de Defesa quer indenização para todas as vítimas
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00


Lula com seu chapéu panamá visita Corumbiara em campanha eleitoral
Lula com seu chapéu panamá visita Corumbiara
em campanha eleitoral
No dia 9 de agosto deste ano completará 12 anos do chamado massacre de Corumbiara. Neste dia mais de 600 famílias foram atacadas violentamente pelas forças policiais de Rondônia, junto com bandos armados de latifundiários. As famílias lutavam pelas terras da fazenda Santa Elina.

O resultado oficial foi de dezesseis mortes, sete desaparecidos, dois recém-nascidos e vários camponeses que faleceram posteriormente em razão das brutalidades e torturas. Muitos seguem com profundas seqüelas físicas e psicológicas que os impossibilitam de trabalhar, vários com balas encravadas no corpo. Outros companheiros estão desaparecidos até hoje.

Desde o ano passado os representantes do Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina estão se preparando para ir a Brasília reivindicar a indenização para toda as vítimas, tratamento médico adequado, o corte da fazenda e sua distribuição às famílias. Promessas feitas por Lula, então candidato a presidente, quando visitou as famílias logo após os acontecimentos. Hoje passados 5 anos que ele foi eleito nada foi feito.

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Companheiro Zé 200, presente!
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00


No dia 14 de maio de 2007, faleceu o companheiro José Vieira de Oliveira, da Área Gonçalo (Theobroma), onde era conhecido com Zé 200.

José tinha apenas 42 anos. Ele nasceu em Jaurú (Mato Grosso) e chegou em Rondônia 26 anos atrás. Ele era camponês e trabalhou muitos anos de diária e empreita em fazendas no Mato Grosso, Acre, Amazonas e Rondônia. Quando ele conheceu o acampamento Gonçalo abraçou com força a luta camponesa por um pedaço de terra.

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Ruço e Joel são inocentados!
Escrito por Resistência Camponesa   
Qui, 31 de Maio de 2007 20:00

Cai por terra 4 anos de injustiça! *
 

* Nota da LCP - Liga dos Camponeses Pobres

Dia 04 de abril de 2007 Jaru nasceu mais feliz. Rojões deram a alvorada, dezenas de camponeses, estudantes e intelectuais comprometidos com a luta do povo empunhando bandeiras vermelhas bradaram palavras de ordem. Os camponeses Wenderson Francisco dos Santos, o Ruço e Joel Gomes da Silva, o Joel Garimpeiro, foram inocentados pelo júri popular!

Eles eram acusados injustamente da morte de um pistoleiro do latifundiário Galo Velho. O julgamento que durou 18 horas foi assistido por mais de cem pessoas, entre camponeses vindos de várias linhas e cidades, estudantes e professores de Porto Velho, populares de Jaru e representantes de  entidades democráticas.
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