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Jornal Resistência Camponesa nº 18
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Santa Elina: quase 1 ano de luta e produção nas terras
Escrito por Resistência Camponesa   
Seg, 09 de Março de 2009
Camponeses já colhem o resultado da produçãoDesde maio do ano passado as famílias que retomaram as terras da fazenda Santa Elina tem resistido a todo tipo de ataques e despejos, sem falar na ação de elementos oportunistas, que orientados pelo PT e Incra tentaram desviar a luta, propondo a saída das terras e a organização de um acampamento na cidade de Cerejeiras para esperar pelas cestas básicas podres do governo e ficarem eternamente morando debaixo de lona.

Já calejados de tanto esperar por quem não vem, o Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina – CODEVISE organizou a luta contra o bandido Sandro Paulo Barbosa. Ele foi assessor da senadora Fátima Cleide (PT), e passou a dedurar e ameaçar camponeses que queriam ficar nas terras.
Horta coletiva em Santa ElinaQuando o CODEVISE esteve em Brasília em agosto de 2007, exigindo a indenização e corte das terras, a senadora tentou desmobilizar as famílias oferecendo passagens para voltarem a Rondônia. O resultado foi a expulsão deste elemento e seu grupinho, o que significou grande vitória para a luta das famílias, pois retirou do caminho espertalhões que queriam mais uma vez usar o povo para seus interesses econômicos e eleitoreiros.

A resistência das famílias nas terras gerou a reação criminosa dos latifundiários e policiais, durante mais de um mês ocorreram ataques quase que diários de bandos armados contra homens, mulheres e crianças indefesos. Cartuchos deflagrados: mais de 200 disparos contra o acampamentoNum dos ataques mais de 200 disparos foram realizados contra o acampamento, e atingiram barracos, utensílios domésticos e árvores. Ainda no mesmo dia todos os barracos foram queimados.

Os camponeses denunciaram o ocorrido ao Incra, Ouvidoria Agrária e Polícia Federal para que providências fossem tomadas. Centenas de cartuchos deflagrados e de vários calibres usados nestes ataques foram encontrados pelos acampados e levados para a Polícia Federal. Após as denúncias nenhum pistoleiro foi preso, mas as famílias foram despejadas. O governo brasileiro que foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos a indenizar as vítimas do massacre até hoje nada fez. Também a promessa feita por Lula ao CODEVISE de que cortaria a fazenda ficou só no papel. Em outubro último, pistoleiros invadiram a casa de um camponês que mora no assentamento Adriana há mais de 20 anos, espancaram-no, obrigaram sua mulher a deitar no chão sob a mira de armas e despejaram um galão de leite sobre ela. O casal ainda foi ameaçado de morte caso continuassem apoiando a tomada de terra. A casa do casal também foi alvo de vários disparos. Mesmo o acampamento estando fora da área da fazenda Santa Elina a polícia militar, a mando de latifundiários, invadiu os barracos dos camponeses em busca de armas, e prendeu três camponeses. Valmir de Souza permaneceu por mais de um mês preso em Colorado do Oeste injustamente, sem que nenhuma prova fosse apresentada.

As famílias seguem organizadas e acampadas, plantaram hortas coletivas e outros cultivos.

O CODEVISE está iniciando novas mobilizações de famílias em toda a região para retomarem as terras e iniciarem o corte dos lotes.