| Pará: “Paz no Campo” do governo é terror contra camponeses |
| Escrito por Resistência Camponesa | ||||
| Seg, 09 de Março de 2009 | ||||
No dia 19 de novembro de 2007 o governo do Pará de Ana Júlia (PT) realizou a maior operação de repressão contra os camponeses em luta pela terra desde a guerrilha do Araguaia. A chamada operação “Paz no Campo” contou com efetivos das policias civil e militar além do exército que utilizaram armamento pesado e helicópteros para despejar as 1100 famílias que haviam tomado a fazenda Forkilha, município de Redenção. Mais de 200 camponeses foram brutalmente agredidos e presos e covardemente torturados com afogamentos, espancamentos e asfixiados com sacos plásticos. Num dos casos um camponês teve um cassetete introduzido no ânus, e outro foi obrigado a engolir toda pimenta de uma garrafa. Pelo menos duas camponesas grávidas perderam seus bebês. Ainda hoje muitos camponeses apresentam seqüelas das agressões. 22 camponeses ficaram presos por mais de 45 dias e ainda respondem processos. As torturas sofridas naquele dia foram provadas em audiências públicas realizadas em janeiro e maio de 2008 na cidade de Redenção pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, mas ninguém foi punido, enquanto seguem os processos contra os camponeses. Para o povo nem terras nem direitos A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT) repete pela TV, rádios, jornais e outdoors que o Pará é uma “terra de direitos”. Exaltando as ações da polícia paraense, ela deixa claro para quem governa e de que “direitos” está falando. Em pouco mais de dois anos de governo, Ana Júlia praticou todo tipo de perseguição contra os pobres, violou os mais elementares direitos do povo, criminalizou movimentos populares, acobertou e justificou todo tipo de violência, torturas e assassinatos praticados pelo aparato policial. Os camponeses do sul do Pará sempre enfrentaram a violência dos pistoleiros e da polícia. Isto sempre aconteceu, pois é da natureza do latifúndio e deste velho Estado reacionário. Mas com a operação “paz no campo” o latifúndio recebeu carta branca para agir, para matar. Desde o final de 2007 os despejos foram feitos sem mandado judicial de reintegração de posse. A polícia e os pistoleiros simplesmente chegam atirando. Foi assim na Forkilha, São Vicente, Cinzeiro, Nazaré, Vaca Branca e Cristalina e camponeses estão sendo covardemente assassinados. Grupos de pistoleiros agem à luz do dia, acobertados pela polícia. Este terror no campo é a “terra de direitos” de Ana Júlia (PT). Esta oportunista fez sua carreira política se dizendo defensora dos trabalhadores, camponeses e pobres do Estado do Pará. Sua máscara caiu. Seus atos mostram que ela não passa de uma serviçal das classes dominantes, principalmente dos latifundiários.
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