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Página inicial Jornal nº 19 População de Buritis se levanta contra perseguições do Ibama
População de Buritis se levanta contra perseguições do Ibama
Escrito por Resistência Camponesa   
Sex, 25 de Novembro de 2011
População fecha as entradas de Buritis em protesto contra o Ibama.Em julho, uma operação do Ibama e da Força Nacional de Segurança  apreendeu 2 caminhões carregados de madeira, em  Buritis. A extração de madeira é a principal atividade econômica da região, gerando centenas de empregos. Durante três dias madeireiros, trabalhadores das serrarias, comerciantes e a população em geral fecharam as estradas que dão acesso ao município, exigindo o fim da operação e liberação dos caminhões e das cargas. Os comerciantes também fecharam as portas em apoio ao protesto. Diante da pressão do povo o Ibama suspendeu a operação temporariamente.

Em setembro, outras operações de repressão foram realizadas culminando no fechamento de dezenas de serrarias e madeireiras na região, gerando enorme prejuízo à economia local e impedindo o povo de trabalhar.

Diante destas operações de perseguição aos trabalhadores as populações de Rio Pardo, Buritis, Jacinópolis, Cujubim, Machadinho, Jaci-Paraná, Nova Califórnia, Extrema, Minas Novas e União Bandeirantes têm protagonizado protestos radicalizados nos últimos anos.

O povo tem o direito de trabalhar

População fecha as entradas de Buritis em protesto contra o Ibama.Nas décadas de 60 e 70 do século passado, camponeses de diversas regiões do país foram incentivados pelo gerenciamento militar fascista a se fixarem na Amazônia. O país precisava de nova fronteira agrícola  e somente os camponeses estavam dispostos a desbravar a região, amansando a selva  com suas feras e doenças tropicais e outras dificuldades. O Estado então incentivou o desmatamento, inclusive com financiamentos. Todos se lembram de como era a política na época: quem não desmatasse perdia o lote.

Este foi o período que os grandes latifundiários mais grilaram terras da Amazônia, seja através de maracutaia com o INCRA, massacres de povos indígenas ou expulsão de camponeses. E desmataram milhares de hectares para formação de pastagens.

Entretanto, os imperialistas, principalmente os Estados Unidos e países europeus, precisavam garantir novas fontes de matérias primas que tem em abundância na Amazônia, como minérios de todos os tipos, madeira, água, etc. Iniciaram então o discurso da Amazônia como “patrimônio da humanidade”, “pulmão do mundo” e da necessidade de “internacionalizá-la”.

Afinados como sempre foram com os interesses dos países imperialistas, os gerentes de turno do velho Estado brasileiro, principalmente a partir de FHC e Lula, acentuaram a criminalização dos camponeses pobres e médios da Amazônia como “criminosos ambientais” e “desmatadores”. Tudo acompanhado do discurso dum suposto “aquecimento global” e “desenvolvimento sustentável”, tentando justificar como se as operações do Ibama e Sedam e outros órgãos repressivos fossem em defesa do meio ambiente.

As duas propostas contra o povo

O deputado Moreira Mendes e outros latifundiários, tentando ludibriar os camponeses começaram a dizer que a aprovação do novo código florestal era de “grande importância para os agricultores”. Este projeto, cujo relator é o deputado Aldo Rebelo do corrupto PCdoB de Renato Rabelo, na realidade defende o interesse dos grandes latifundiários, garantindo o perdão de suas multas milionárias e a derrubada de novas áreas. Prova disso foi a facilidade com que o projeto foi aprovado na câmara dos deputados.

Para os camponeses nada muda. A gerente Dilma já anunciou a criação duma “tropa de elite verde”, como se não bastasse os órgãos repressivos que já existem. A repressão do Ibama/Sedam só atinge os camponeses pobres e médios e pequenos madeireiros. Os latifundiários sempre ficam a salvo.

Para desmascarar a enganação do discurso de “desenvolvimento sustentável” basta ver a total miséria dos camponeses pobres onde foram implementadas as políticas das ONGs ambientalistas, que só permitem a produção extrativista. O estado do Acre, que é um grande modelo  para o PT, depende totalmente de outros estados, inclusive alimentos básicos como arroz, feijão e milho, pois os camponeses são proibidos de produzir nas terras.

As derrubadas e queimadas feitas pelos camponeses para tirar o seu sustento são “crime ambiental”. Os milhares de hectares derrubados pelos latifundiários ou as imensas áreas alagadas pelas usinas de Jirau e Santo Antônio são “progresso” e “desenvolvimento”. As grandes madeireiras também têm todas as facilidades para obtenção de planos de manejo, como é o caso da licitação da Floresta Nacional do Jamari, em que oito grandes madeireiras nacionais e estrangeiras estão inscritas para explorar suas riquezas por 60 anos. Tudo com a benção das ONGs ambientalistas, Sedam, Ibama e do gerenciamento petista.