| A luta camponesa se prepara para entrar numa nova etapa |
| Escrito por Resistência Camponesa | |||
| Sex, 25 de Novembro de 2011 | |||
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Lula aumentou a concentração de terras
Contou ainda com a cumplicidade da Contag e MST que além de não questionar essa enganação, abandonaram as mobilizações e tomadas de terra dizendo que o momento era de apoiar Lula e que era preciso ter paciência e esperar pela reforma agrária do governo. Lula afirmou que no país havia espaço para o agronegócio e a agricultura familiar, mas na prática financiou o primeiro com bilhões e a segunda com cortes de gastos. Promoveu latifundiários e usineiros escravocratas a heróis nacionais e transformou camponeses pobres em bandidos e criminosos. O resultado foi que entre 2003 e 2010 assentou apenas 154 mil famílias, um número menor do que o realizado nos oito anos da gerência de FHC, que Lula tanto acusou de não ter vontade política de realizar a reforma agrária. Para tentar desmobilizar os camponeses em luta em algumas regiões do país, principalmente no nordeste, a gerência Lula utilizou programas assistencialistas como bolsa escola e bolsa família. Porém as massas camponesas seguiram lutando, apesar de todo empenho do oportunismo no gerenciamento do Estado e das campanhas de difamação e satanização movidas pelos monopólios de comunicação. A criminalização e perseguição ao movimento camponês mais combativo foi o centro da política agrária de Lula através da “operação paz no campo” que prendeu, torturou e despejou camponeses, como ocorreu no sul do Pará na ocupação da fazenda Forkilha, em 2007. Isso incentivou ainda mais os latifundiários de todo o país a utilizarem bandos armados para perseguir e assassinar trabalhadores impunemente. Dilma quer enterrar de vez a questão agrária
Para enquadrar ainda mais o MST Dilma retirou o comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário das mãos do MST e colocou um burocrata qualquer, demonstrando seu total desprezo pelos camponeses. O episódio do assassinato de um casal de ativistas camponeses no Pará, no início deste ano teve grande repercussão e obrigou o Estado a tomar medidas para dar resposta à opinião pública nacional e internacional, porém, só de fachada. Os assassinatos, perseguições e prisões de camponeses e demais trabalhadores acontece todos os dias em nosso país. A crise do MST e sua capitulação vergonhosa A direção do MST se encontra numa encruzilhada. Para manter sua estrutura antes financiada pelo Estado e não perder suas bases mais radicalizadas terá de retomar as mobilizações ainda que seja só para fazer propaganda e logo sair das terras. Mas ao fazerem isso encontrarão resistência dos camponeses que cada vez menos aceitam sua linha reformista e oportunista de ocupar em beiras de estradas e fazer acampamentos relâmpagos para pressionar o INCRA a negociar. Os camponeses querem cortar a terra o mais rápido possível para plantar e sustentar suas famílias. A crise no MST é grande e aponta para sua completa capitulação frente dificuldades da luta e a reação. Em janeiro de 2010, seu principal dirigente João Pedro Stédile, deu uma entrevista ao jornal Zero Hora de Porto Alegre/RS decretando o fim das ocupações como tática e a necessidade de novas alianças para o movimento. Segundo ele, as ocupações de terra não interessam mais porque não somam aliados como antes. O mesmo Stédile em entrevista na revista Carta Capital de julho deste ano conclamou o movimento a: “lutar por um novo tipo de reforma agrária chamado por ele de reforma agrária popular, baseado na produção de alimentos sem agrotóxicos e na implantação de agroindústrias e democratização do ensino nas áreas de assentamento”.
A estrutura fundiária existente em nosso país há mais de 500 anos, jamais sofreu alteração e segue nos dias de hoje aumentando a concentração de terras com o agronegócio. Uma verdadeira transformação no campo só pode ser realizada pelos camponeses pobres em aliança com os operários e demais classes trabalhadoras da cidade, pois atinge diretamente os interesses dos grandes latifundiários, da grande burguesia e das potências imperialistas que dominam o Brasil, principalmente os Estados Unidos. Esta mudança jamais poderá ser obra das classes dominantes e seus gerentes de turno. Basta ver como ao longo de nossa história o Estado brasileiro tratou a ferro e fogo os levantes camponeses e outras revoltas populares que ameaçavam as classes dominantes e seu poder. Assim como hoje se preparam para reprimir o crescimento da luta do povo trabalhador em especial a luta camponesa combativa. Elevar a propaganda e agitação da Revolução Agrária O que todos estes oportunistas não contam é que as massas camponesas podem azedar seus projetos e estarão cada vez mais dispostas a se mobilizar quanto mais se aprofundar a crise econômica. Diante do aprofundamento da crise política, econômica, moral e social do velho Estado brasileiro, da falência da chamada “reforma agrária do governo” e da capitulação completa da direção do MST o movimento camponês combativo deve elevar ainda mais alto a bandeira da Revolução Agrária. Intensificar a mobilização e organização dos camponeses pobres para tomar as terras do latifúndio, cortar por conta e entregar as terras, defender sua posse e estabelecer Assembleias Populares exercendo a verdadeira democracia, onde os camponeses decidam todos os dias sobre todas as questões de suas vidas nas áreas onde vivem e trabalham. É a verdadeira democracia contrapondo a falsa democracia burguesa com suas eleições podres e corruptas em que o povo é chamado a participar apenas em um dia, de dois em dois anos, para escolher aqueles que usarão o chicote contra o povo, entregarão nossas riquezas para o saque estrangeiro e roubarão os cofres públicos. Somente com a destruição completa do latifúndio em todo o país, ainda que isso se dê parte por parte do território, distribuindo as terras aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, estabelecendo novas relações de produção baseadas na cooperação e exercendo o poder político nas áreas tomadas é que poderemos romper com o principal elo de dominação que oprime nosso povo e mantém a nação subjugada aos países imperialistas. Só a Revolução Agrária como primeira etapa da Revolução de Nova Democracia poderá salvar o país da ruína e libertar nosso povo da exploração e opressão.
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