| Incra e ouvidoria agrária querem despejar famílias |
| Escrito por Resistência Camponesa | |||
| Sex, 25 de Novembro de 2011 | |||
Em nota, divulgada em nossa página na internet, o Codevise relatou que, "no dia 18 de agosto de 2011, sem nenhum aviso, chegou até a área revolucionária Zé Bentão (antiga Fazenda Santa Elina), a ouvidora agrária regional, senhora Márcia do Nascimento Pereira, e o delegado agrário recém transferido, Lucas Torres Ribeiro, acompanhados de vários policiais militares fortemente armados e outros à paisana".Após a inesperada "visita" que se repetiu alguns dias depois, os camponeses informaram que, além da postura intimidatória da comitiva, a ouvidora teria afirmado entre outras coisas que: "o assentamento não pode acontecer com a ocupação e as famílias têm que se cadastrar"; que "somente depois que saírem todas as famílias da área e não houver nenhuma ocupação é que o Incra poderia entrar para fazer o corte da terra"; que "o corte que foi feito não vai ser respeitado. O Incra só reconhece o corte feito por um engenheiro credenciado, não adianta ser topógrafo". E ainda, "só vamos tentar garantir 130 famílias das vítimas na Água Viva e não podemos garantir lotes para 300 famílias". A ouvidora teria dito ainda que não iriam permitir que permaneça na terra "quem não estiver no perfil de reforma agrária" e que "a justiça é lenta, mas têm que esperar".
E em relação as afirmações de que a justiça é lenta e é preciso esperar mais, o Codevise é enfático ao afirmar que “francamente, já cansamos de esperar! Já chega! Já são mais de 16 anos de enrolação!”
Os camponeses rechaçam as provocações afirmando que o Incra não cortou terra alguma na última década em todo o cone sul de Rondônia, enquanto, através da luta, os camponeses organizados pelo Codevise, e contando com o apoio da Liga dos Camponeses Pobres - LCP, retomaram as terras da Santa Elina e cortaram a área revolucionária Zé Bentão "em mais de 290 lotes de 12 alqueires, sendo 4 alqueires de cada lote unificados numa área de reserva de mata coletiva. Esses lotes foram entregues às próprias vítimas e seus familiares e às pessoas que acamparam desde o início da retomada da área por ordem de chegada".
Os camponeses exigem que o Corte Popular seja respeitado e que o restante das terras que antes eram do latifúndio sejam cortadas em outras centenas de pequenas parcelas para que mais famílias tenham acesso à terra. E mais uma vez reafirmam a decisão de não desocupar as terras:
De lá pra cá, já se passaram 16 anos de muita luta e resistência e hoje nosso sonho se tornou realidade. A justiça começou a ser feita. Estamos em cima de nossos lotes, trabalhamos dignamente e tiramos da terra o sustento da nossa família. Temos nossas casas, nossas criações e produção. E não estamos dispostos a perder tudo isso que conquistamos com muito suor e luta. Não queremos que se repita o 9 de agosto de 1995, mas reafirmamos, que dessa terra não vamos mais sair. Essas terras já foram regadas com o sangue de nossos companheiros e companheiras e estamos dispostos a defender e permanecer nelas custe o que custar!”
|












anterior