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Camponeses da LCP apóiam greve da Unir
Escrito por Resistência Camponesa   
Seg, 28 de Novembro de 2011
 Estudantes ajudam descarregar alimentosNo dia 9 de novembro de 2011, um caminhão carregado com arroz, feijão, mandioca, banana, cana, café e outros produtos parou na frente da reitoria da Unir, em Porto Velho, ocupada pelos estudantes e professores. Era uma doação dos camponeses das áreas Canaã e Raio do Sol, localizadas entre Jaru e Ariquemes. Ao todo, 10 camponeses das duas áreas foram entregá-la. Muitos grevistas se surpreenderam com a doação, não esperavam. Outros não sabiam se descarregavam as mercadorias ou chupavam cana. Estudantes curiosos perguntavam: “Como sabemos quando a cana está madura? Qual a parte mais macia e doce?” E os camponeses davam aula, mestres que são da lida do campo, das roças e criações.

 Estudantes retiram alimentos do caminhaoEm seguida, os camponeses participaram de uma assembleia estudantil, transmitiram uma saudação de apoio e disseram que a doação era uma retribuição ao apoio que sempre tiveram dos estudantes e professores. Um camponês falou a todos:

 “Vários estudantes do MEPR e alguns professores da Unir já foram muitas vezes na nossa área, dormiram no nosso barraco, comeram com a gente, fomos no rio. Trabalharam na colheita de arroz, na limpeza de estrada, na roçada para um camponês doente, na construção do barracão da assembleia. Este ano, na hora que mais precisamos, pois estávamos ameaçados de despejo, os estudantes distribuíram nossos panfletos, fizeram faixa e ajudaram numa passeata em Jaru. Um dos alunos não queria ir embora preocupado com a gente. E agora que vocês estão nesta luta tão importante, viemos ajudar um pouco.”

Estudantes retiram alimentos doados por camponeses

 Os camponeses pregaram nas paredes da Unir um mural que eles levaram com fotos de várias atividades dos estudantes e professores de apoio à Revolução Agrária. Estenderam também uma faixa com os dizeres: “Camponeses do Canaã e Raio do Sol apóiam a greve da Unir!”

 Os alunos que chegavam na reitoria se admiravam da quantidade de doações que lotavam os corredores. E os alimentos chegaram em boa hora. Primeiro, porque a despensa da ocupação estava meio vazia. Em segundo, porque os grevistas já não agüentavam mais o mesmo lanche. Queriam tomar um verdadeiro café da manhã camponês. No dia seguinte, após dormirem na reitoria junto dos estudantes, lá foram os camponeses para a cozinha. Das 5 às 9 horas da manhã serviram café com mandioca e banana frita.

 Logo depois todos partiram para uma vigorosa manifestação pelas principais ruas de Porto Velho. Marcharam lado a lado camponeses, estudantes, professores, funcionários da Unir, pais de alunos e trabalhadores em geral.Parte dos alimentos nos corredores da ocupação

 Encerrada a passeata os camponeses não queriam almoçar para economizar o alimento dos estudantes. Mas os grevistas não deixaram. Eles agradeceram muito os camponeses e até puxaram gritos de: “Fica, fica!” Parecia que todos já se conheciam há muito tempo. Os camponeses disseram: “Estamos lado a lado, um ajudando o outro. Se os alimentos acabarem, enquanto durar a greve de vocês podem nos avisar porque de onde veio este tem muito mais!”

Sessão de “Cinema do Povo” apresenta fotos e vídeos da greve da Unir para camponeses das áreas Canaã e Raio do Sol. Trabalho junto aos camponeses

 Construção de barracão com trabalho coletivo

 

 

 

Estudantes da UNIR visitam áreas camponesasPreparação de faixa para manifestação contra despejoReunião com camponeses