| Incra desrespeita Corte Popular e agudiza conflitos com famílias de Santa Elina |
| Escrito por Codevise | |||
| Qui, 19 de Janeiro de 2012 | |||
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Ainda com uma pontinha de esperança, os camponeses saíram das terras diante das promessas do Incra de cortar a área em 60 dias, que as famílias iriam receber lona, cesta básica, as famosas “bolsa-esmola” e que “quem tivesse benfeitorias nas suas posses não entrariam no sorteio e pegariam o mesmo lote”. Logo após os primeiros dias de acampamento as famílias começaram a comprovar e perceber que o “paraíso” prometido pelo Incra não passava de conversa fiada para convencer as pessoas a saírem da área. O Incra prometeu em compromisso assinado fornecer lonas e cestas básicas para 60 dias a todas famílias. Porém forneceu apenas 3 rolos de lona que não deu nem para construir nem a metade dos barracos e que já não suportam mais as chuvas intensas deste período. As cestas básicas vieram incompletas, apenas uma vez, e não duraram sequer 20 dias. Além disso nem todos receberam. Várias famílias estão passando necessidade e a situação só não é pior porque contam com a solidariedade de outras famílias que compartilham o pouco que têm umas com as outras. Desde que saíram da área, as famílias tem amargado uma vida de prejuízos, dificuldades e doenças. As roças existentes dentro da área estão sendo tomadas pelo mato, os bichos selvagens estão comendo a produção e as criações. Com a temporada de chuva as famílias que estão no acampamento vivem no meio do barro em condições insalubres. Mesmo tendo cavado poço e construído fossa mais de 80% das crianças e muitos adultos já adoeceram com sintomas de febre e diarréia. Mas o pior ainda estava por vir, o Incra não está respeitando o corte feito pelos camponeses (na área correspondente a antiga Água Viva) e o projeto que estão querendo implementar, se for posto em prática, modificará toda a situação da área Zé Bentão e ao invés de resolver, criará conflitos entre as famílias. O projeto apresentado pelo Incra modifica toda a disposição dos lotes, nas mais variadas direções e tamanhos diferentes. Se o projeto for posto em prática, vai haver situações absurdas como, por exemplo, 1 só lote vai englobar as benfeitorias de 5 famílias. De acordo com o projeto do Incra mais de 22% dos lotes (mais de 42 de um total de 194 lotes) não teriam acesso a água. Já no corte feito com muita competência pelos camponeses apenas 5% dos lotes (14 de um total de 296 lotes) saíram sem água. No projeto do Incra não está previsto a construção de estradas, apenas está aproveitando os precários carreadores existentes.
Questionado pelos camponeses, tanto os técnicos terceirizados pelo Incra e o próprio Queiroga do Incra de Colorado D’Oeste, concordam que o corte feito pelos camponeses está bem feito e pode muito bem ser mantido como está, garantindo para as famílias a manutenção de suas posses e benfeitorias. Porém alegam que as ordens de mudar tudo partem do Incra de Porto Velho, em particular o seu superintendente Carlino Lima.
Se o Incra insistir em aplicar esse projeto, não vai beneficiar em nada as famílias da área Zé Bentão, ao contrário só trará mais prejuízos e aumentará ainda mais os conflitos já existentes. Por isso, exigimos que o corte feito pelos camponeses seja respeitado. Exigimos que todas as famílias que tem produção e benfeitorias tenham os mesmos lotes garantidos e respeitados. Defender a posse pelos camponeses da fazenda Santa Elina! Terra para quem nela vive e trabalha! O povo quer terra, não repressão! CODEVISE – Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina
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