LCP celebra 19 anos da resistência de Corumbiara

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 15/08/2014
Categoria: Notícias
Nos dias 9 e 10 de agosto a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental realizou seu 6° Encontro de Delegados na cidade de Corumbiara. Participaram cerca de 120 pessoas: camponeses eleitos como representantes de dezenas de áreas novas e antigas de Rondônia, professores, estudantes e apoiadores.

Na manhã do dia 9 de agosto, rojões anunciaram para a população o início de uma vibrante manifestação pelas ruas de Corumbiara, com faixas, cartazes e bandeiras vermelhas. O protesto celebrou os 19 anos da heroica resistência camponesa na fazenda Santa Elina e celebrou a situação atual da área onde mais de 800 famílias vivem e trabalham nas terras desde 2010 quando a LCP realizou a tomada das terras e o corte popular com entrega dos lotes a camponeses sem terra ou com pouca terra.

Os manifestantes puxaram palavras de ordem conclamando a população a não votar e em defesa da Revolução Agrária. Companheiros vítimas de Santa Elina, moradores da área e participantes do Encontro fizeram uso da palavra relembrando os mártires de Corumbiara e denunciando que até hoje continuam impunes os principais culpados pelo massacre de camponeses: Valdir Raupp (PMDB), o latifundiário Antenor Duarte e o comando da PM de Rondônia a época. Também denunciaram as manobras da Fetagro (PT) e Incra para desmobilizar e retirar as famílias das terras para servir aos seus interesses eleitoreiros.

No final da manifestação foram lembrados os nomes dos mártires de Santa Elina e propagandeado para a população a necessidade de tomar mais terras na região para diminuir a secular concentração de terra e impulsionar ainda mais a economia local. Uma brigada de jovens distribuiu panfletos e exemplares do jornal AND para moradores e comerciantes

Vitorioso Encontro de Delegados

A abertura do Encontro foi realizada na parte da tarde com a presença de representantes do Movimento Classista de Trabalhadores em Educação – Moclate, Movimento Estudantil Popular Revolucionário - MEPR, Escola Popular - EP, Advogados do Povo, ativistas do movimento indígena, Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - Cebraspo, Comitê de Apoio do AND, Movimento Feminino Popular - MFP, Comissão Nacional da LCP e Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental - LCP.

O Encontro iniciou com saudações especiais. Primeiro à heroica resistência palestina que não tem se dobrado aos mais ferozes ataques genocidas de Israel/EUA. A segunda saudação especial foi ao Professor Dr. Saibaba, na Índia. Ele é um grande ativista na luta pelos direitos do povo indiano e por isso foi sequestrado pelo velho Estado e segue incomunicável desde maio último. A terceira saudação foi aos mártires da luta pela terra. Fotos de vários camponeses e lideranças assassinados enfeitavam as paredes. O exemplo de cada um deles inspira outros a seguirem seus passos na luta sagrada pelo direito à terra e por um novo Brasil.

Os participantes saudaram a realização do Encontro e falaram sobre a situação da luta pela terra no país e também de Rondônia, denunciaram a situação dos últimos anos de crescente criminalização e repressão ao movimento camponês, com perseguições, prisões e assassinatos de lideranças e ativistas. Neste sentido foi lembrado as absurdas prisões recentes de 12 camponeses do acampamento Monte Verde, na região de Buritis, e dos 14 camponeses de Rio Pardo, presos desde dezembro de 2013.

Também foi lembrado pelos participantes da mesa a total falência da “reforma agrária do governo” onde o gerenciamento petista tem financiado com bilhões o agronegócio enquanto atua na desmobilização, criminalização e repressão das lutas dos camponeses e povos indígenas através da “justiça”, Ouvidoria Agrária, Polícia Federal, Força Nacional e monopólios de imprensa.

Os participantes em peso defenderam a necessidade de conclamar toda a população a não votar e a necessidade de mobilizar centenas de famílias para tomar terras do latifúndio. Também reafirmaram a necessidade de fortalecer o funcionamento das Assembleias Populares e seus Comitês de Defesa da Revolução Agrária nas áreas, organizações onde os camponeses debatem e decidem sobre a solução de todos os problemas que enfrentam onde moram.

No segundo dia, os participantes estudaram em grupo as teses do 6° Congresso da LCP. O debate foi bastante participativo, todos tiveram espaço para falar e produziu um aprendizado coletivo muito rico.

Uma das partes importantes do Encontro foi a escolha das companheiras e companheiros que farão parte da nova coordenação da LCP. No encerramento do Encontro todos os participantes realizaram a cerimônia de juramento em frente a bandeira vermelha da LCP.

O 6° Encontro culminou a primeira parte de preparação do Congresso, em que ocorreram dezenas de reuniões de grupos de moradores e de Assembleias Populares nas áreas. Nestas reuniões e no Encontro os camponeses levantaram e discutiram a situação da luta camponesa: estradas péssimas, escolas longe, saúde precária, falta de incentivo e apoio à produção camponesa, perseguição de lideranças e crescimento das famílias querendo tomar terra. Deu-se início a mobilização de todas as áreas camponesas novas e antigas, assim como dos apoiadores, estudantes, pequenos e médios comerciantes, professores e demais trabalhadores da cidade para realizarem uma massiva plenária final na cidade de Jaru.

A palavra de ordem do exitoso Encontro de Delegados é: Todos ao 6° Congresso da LCP!

 
   
     
   
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