Tomar todas as terras do latifúndio! O povo quer terra e água!

Escrito por LCP do Norte de Minas e Bahia
Publicado em 05/10/2014
Categoria: Notícias

Há mais de três anos a seca castiga o Norte de Minas e parte da Bahia, é a maior seca em 100 anos!

Nossas roças não vingaram, nossos pastos morreram, nossas criações tiveram que ser vendidas a “preço de banana”; quem tem um pedacinho de terra sofreu com a cobiça dos latifundiários, dos testas-de-ferro dos políticos como Newton Cardoso e cia, e das mineradoras que já se adonaram de quase toda a Serra Geral através da grilagem das terras públicas!

Mas a culpa de nossos sofrimentos não é da seca e da falta de chuvas como alguns alardeiam! Para os latifundiários, ricos e poderosos nunca falta água!

O maior mal que nos afeta é a ganância dos velhos e novos “coronéis” e sua corriola política de sempre que acham que são donos do Norte de Minas e da Bahia: das terras, da água, das riquezas do meio natural e até de nossas vidas!

Os latifundiários fizeram barragens ao longo do Rio São Francisco e seus afluentes, poços artesianos com máquinas e dinheiro público do PAC2, e continuam se dando bem com os meganegócios como no Projeto Jaíba. Enquanto os camponeses, ribeirinhos, pescadores, quilombolas e indígenas sofrem com a falta de água, de peixe, a perseguição ambiental, a criminalização e as ameaças de expulsão de suas terras até pelo próprio INCRA!

Chega de enrolação destes políticos mentirosos e descarados!

Só no Norte de Minas são 140 os municípios que decretaram estado de emergência. Foi anunciada a liberação de bilhões para “obras” do combate à seca. Políticos de todas as laias estão tirando vantagens e fazendo campanha em cima do sofrimento do povo, seguraram ao máximo a distribuição das caixas e liberação dos serviços. Depois, com as máquinas, abriram buracos por toda a zona rural, os “tanques” que não irão resolver o problema. Além disso, para instalação das caixas de captação da água da chuva, os “beneficiados” tiveram que trabalhar por alguns trocados, sendo que a empresa responsável já recebeu por isso e ainda chantageia: “é assim ou ficam sem caixa”.

Há muito que os pescadores profissionais já não conseguem sobreviver da pesca e os projetos de criação de peixe não nativos só deram prejuízos aos trabalhadores. Para gerar energia para a CEMIG, as comportas de Três Marias estão fechadas, caso contrário poderia aliviar a situação dos ribeirinhos, mas se chover na cabeceira do rio e a represa encher, simplesmente inundam os povoados e pequenas cidades da noite para o dia, sem aviso.

Mais da metade das famílias mais pobres dessa região semiárida não tem acesso à água potável nem tratamento de esgoto. Enquanto isso, órgãos como IDENE, IMDC, SUDENE, DNOCS, IGAM, CODEVASF e outros continuam movimentando milhões de reais, mesmo denunciados por graves desvios e corrupção. Também as prefeituras estão até o pescoço com denúncias que pipocam por todos os lados e a quebradeira é geral. O problema é que os culpados nunca são punidos, o dinheiro desviado nunca é devolvido e a fome e a sede no sertão continuam.

Além de muitos recursos ou medidas esbarrarem na burocracia como a situação absurda da CONAB, que apesar de mandar grãos até para a Etiópia, não conseguia entregar aos produtores do Norte de Minas o milho que eles compraram. Vários hospitais públicos da região estão ameaçados de fechamento e o sucateamento salta aos olhos. As estradas são patroladas apenas neste período, quando chove é só a lama e buraco. Quem depende das balsas ficam reféns da extorsão e de péssimos serviços. As casinhas populares, depois de muita burocracia e humilhação, assim como as “bolsas” são entregues segundo critério dos grupos que controlam as prefeituras, não passam de instrumentos de chantagem eleitoral. As cestas básicas ficam tanto tempo nos galpões esperando a melhor “oportunidade” para serem distribuídas, que o feijão fica escuro e vira bandinha e o arroz chega todo quebrado. Os hospitais nas pequenas cidades estão uma imundice e o atendimento é precário, pedidos de exames “urgentes” ficam meses aguardando autorização.

O velho Estado brasileiro não pode resolver nenhum desses problemas do povo. O único caminho que pode salvar os camponeses da ruína completa é o caminho pela construção de uma verdadeira Nova Democracia. Tomar todas as terras do latifúndio com suas reservas de água e entregá-las aos camponeses, ribeirinhos e pescadores, quilombolas e indígenas.

Viva a Revolução Agrária!

Eleição é farsa, não muda nada não! O povo organizado vai fazer Revolução!

No mundo inteiro as eleições burguesas estão sendo boicotadas. No Brasil, os grandes protestos demarcaram campo contra todo este estado de coisas que vão desde os políticos e seus partidos corruptos ao pioramento das condições de vida, contra a repressão policial e por democracia.

Nas últimas eleições mais de 35 milhões de brasileiros não votaram, sem contar as inúmeras pessoas que nem sequer fizeram o título eleitoral. Isso prova o quanto esse processo farsante esta desmoralizado e desacreditado. A apatia pelos programas eleitorais, pelos jingles, discursos vazios e tudo relacionado é evidente e expressa uma consciência sobre o fato de que as eleições não mudam nada na vida do povo.

No Norte de Minas praticamente são os mesmos grupos de sempre que se dividem nas diferentes legendas: Humberto Souto, Gil Pereira, Jairo Athayde, Ana Maria, Luiz Henrique, os Sapori, os Diniz e Muniz, só para ficar nos mais conhecidos. Alguns chegam ao descaramento de apresentar seus filhos como uma coisa novinha em folha, Tadeuzinho, Newton Cardoso Júnior, Pinheirinho, Gabriel Guimarães e outros iniciantes no toma lá, da cá.

Representam famílias que se enriqueceram explorando o povo da região, latifundiários e megaempresários que se apresentam como candidatos e gastam rios de dinheiro para tentar enganar o povo com suas falsas promessas de desenvolvimento para o Norte de Minas. Políticos que usaram a máquina e os recursos públicos no intuito de se promoverem estão agora cobrando o voto do povo, com chantagens e chamando-o de ingrato. Resolver os verdadeiros problemas do povo: NADA!

CADÊ a desapropriação da fazenda Beirada em Manga, alvo de grilagem, trabalho escravo e crimes ambientais pelo latifúndio. Denunciada por manter bandos armados que atacaram as famílias camponesas com armas de grosso calibre em 2012. O INCRA, através do seu superintendente estadual, Danilo Araújo, cabo eleitoral de Paulo Guedes, prometeu dar uma solução e até hoje nem os ataques foram apurados!

Dezenas de Audiências com o INCRA foram realizadas pelo Norte de Minas, onde os problemas foram apresentados. Até hoje, as desapropriações não ocorreram, os recursos para assistência técnica não foram liberados, nenhum título da terra foi entregue aos assentados e as ordens de reintegração de posse continuam ameaçando milhares de famílias. Deve ser porque Paulo Guedes estava mais preocupado com aumento de seu patrimônio que em 8 anos subiu de 45 mil para quase 1 milhão (dados do TSE).

Arlen Santiago, que se gaba de ser campeão de votos na região, declarou um capital de mais de 4 milhões de reais, diz que é amigo dos indígenas, mas CADÊ a demarcação das terras dos Xacriabás em Missões e Itacarambi e o fim das perseguições e reintegrações de posse contra eles? E onde estavam os políticos quando os parentes Xacriabás de Cocos foram cercados por bando de pistoleiros e até o padre foi ameaçado!

CADÊ os políticos quando centenas de famílias pobres sem casa foram despejadas pela PM em Montes Claros?

Os quilombolas, que lutam por suas terras, tiveram que encarar os bandos de pistoleiros armados até os dentes. A polícia, em vez de defendê-los, prendeu 5 camponeses que amargaram quase dois anos de cadeia. Enquanto isso, o latifundiário João Fábio Dias, que chefiou o bando que atacou as famílias na fazenda Torta em Verdelândia, goza de liberdade e prestígio. Os políticos como Nilmário Miranda e Durval Ângelo da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, fizeram juras de punição aos mandantes e executores dos ataques contra os camponeses. CADÊ?

O PT ficou 20 anos fazendo campanha eleitoral dizendo que faria a “Reforma Agrária”, depois que ganhou, tornou-se o pior governo para o povo no campo. Reduziu a quase nada os “assentamentos” do INCRA, se apoiou cada vez mais no “agronegócio” e desencadeou a maior repressão contra a luta pela terra, desde a época do regime militar.

Os números das estatísticas do próprio governo demonstram que ao contrário de diminuir a concentração da propriedade da terra, ela só se agravou. Devido aos pilares econômicos de subjugação nacional, a desindustrialização se aprofunda e com a invasão dos capitais estrangeiros e as transnacionais, a desnacionalização da economia do país atinge níveis nunca vistos.

Aécio do PSDB, já muito manjado, tentou tirar uma lasquinha da desmoralização do governo Dilma, frente ao fiasco da copa e em meio aos protestos populares, mas ficou em maus lençóis com a morte do Eduardo Campos. Marina do PSB, oportunistamente tenta se cacifar como se fosse algo novo, mas não passa de uma representante de interesses de corporações estrangeiras (pelas quais é financiada através de suas ONGs ambientalistas), já declarou apoio incondicional ao agronegócio, está “assessorada” por economistas e banqueiros e seu discurso de coitadinha e bem-intencionada só engana a ingênuos. A verdade é que todos eles são farinhas do mesmo saco!

Estas eleições não representam democracia para o povo e sim a manutenção do velho Estado burguês latifundiário, serviçal do imperialismo, principalmente ianque.

Não Vote! Organize-se e lute!

Terra, água, pão, justiça e Nova Democracia!

Viva a Revolução Democrática, agrária e anti-imperialista!

   
     
   
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