Pelo fim dos crimes do latifúndio!

Escrito por Resistência Camponesa
Publicado em 24/02/2016
Categoria: Notícias

No dia 23 de fevereiro de 2016, no salão da igreja São Benedito em Jaru foi realizado um ato exigindo o fim dos crimes do latifúndio contra os camponeses. Além da LCP (Liga dos Camponeses Pobres) de Rondônia e Amazônia Ocidental, que organizou o ato, estiveram presentes representantes da Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres, Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo), Liga Operária, Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região (Marreta), Sindicato dos Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro (Sinerj), Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Conselho Estadual dos Direitos Humanos.

Também estiveram presentes camponeses de diferentes áreas de Rondônia e familiares dos dirigentes camponeses assassinados Enilson, Valdiro, Renato Nathan, Zé Bentão e da dirigente do MAB, Nicinha. Várias organizações que não puderam estar presentes mandaram mensagens de apoio, como o IHG-BH/MG – Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais, Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios do Piauí, Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios de Roraima, Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios do Amazonas, Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios de Rondônia, LPS – Luta Popular e Sindical, Sindados-MG – Sindicato dos Trabalhadores de Tecnologia da Informação do Estado de MG, Associação Juízes para a Democracia, FIP – Frente Independente Popular, Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, IAPL – Associação Internacional dos Advogados do Povo, Rede de Movimentos Contra a Violência – RJ, dentre outras.

O ato foi realizado graças à contribuição de dezenas de comerciantes de Jaru, entidades e pessoas democráticas de Porto Velho, que contribuíram com alimentos e dinheiro. A polícia espalhou boatos de que a LCP bloquearia uma rodovia, utilizando-se da falsa informação para justificar viaturas circulando na cidade durante todo o dia, carros seguindo camponeses, lideranças e apoiadores. 

Há 1 mês atrás, no dia 23 de janeiro, os camponeses Enilson Ribeiro dos Santos e Valdiro Chagas de Moura foram covardemente assassinados em Jaru. Enilson era um dos coordenadores da LCP. Ele e Valdiro lideravam o Acampamento Paulo Justino, no município de Alto Paraíso, onde o latifundiário Antônio Carlos Faitaroni, através da recém-criada “Associação dos Pecuaristas” do Vale do Jamari, tem cometido uma série de crimes contra os camponeses.

Enilson e Valdiro foram assassinados a tiros e tiveram as cabeças esmagadas a golpes de pedra. O assassinato ocorreu em plena luz do dia numa rua movimentada de Jaru, seguindo o mesmo modo de operar utilizado pelos “grupos de extermínio” mantidos pelos latifundiários, compostos por pistoleiros e policiais, protegidos e acobertados pela cúpula da área de segurança do Estado.

O assassinato de Enilson e Valdiro não é um fato isolado. Nos últimos meses tem se intensificado a ação desses bandos armados do latifúndio que agem impunemente e com total cobertura de policiais e outras autoridades do estado. Se intensificou como nunca os despejos, a perseguição, ameaças, tortura, desaparecimentos e assassinato de lideranças camponesas.

Além dos ataques de pistoleiros combinados com operativos policiais, os camponeses, suas organizações e apoiadores estão enfrentando uma verdadeira onda de criminalização e calúnia. Essa mesma imprensa mentirosa, que trata camponeses em luta como terroristas e bandidos é a mesma que se cala diante da ação criminosa de bandos armados do latifúndio.

Os mesmos que escandalizam quando os camponeses se organizam e tomam terras para viver e sustentar sua família, não dizem uma palavra sequer sobre a enorme grilagem de terras da União cometida pelos latifundiários em conluio com autoridades do estado ao longo dos anos, esses sim invasores e verdadeiros ladrões de terra, inclusive de terras públicas destinadas à falida “reforma agrária” do governo, como é o caso das vastas terras da região do Vale do Jamari.

A situação é muito grave e exige que as pessoas e organizações verdadeiramente democráticas e honestas unam forças para apoiar com firmeza a luta pela terra para barrar a sanha assassina e o terrorismo dos latifundiários acobertados e apoiados pelo velho Estado. É necessário trazer à tona que o comandante da PM Enedy está escondendo que os pistoleiros que assassinaram Enilson e Valdiro, eram acobertados por ele próprio; é necessário que este mentiroso e fascista seja responsabilizado pelos PM´s que faziam pistolagem na Fazenda Tucumã, quando assassinaram um jovem e queimaram seu corpo, e tinham armamento pesado, do Exército, e que inexplicavelmente fugiram; é necessário acabar com as ameaças de pistoleiros que impedem as crianças do Acampamento Terra Prometida de ir às aulas; é necessário prender os que sumiram com Luiz Carlos da Silva, que assassinaram Terezinha, Lucas Silva, Enilson, Valdiro, a dirigente do MAB Nicinha, e muitos outros crimes anteriores.

Nas diversas intervenções proferidas durante o ato, este foi o recado: os camponeses e seus apoiadores não se intimidam com nenhuma campanha de difamação e mentira, e que o sangue derramado não afoga a luta, senão que a impulsiona.

Com essas palavras conclui a Comissão Nacional das Ligas:

“Não temos medo desta canalha milionária de sanguessugas assassinos covardes. Nenhuma campanha de difamação e mentira vai nos intimidar. O terrorismo dos latifundiários com seus bandos de assassinos a soldo, acobertados por agentes do Estado, por governos e juízes mercenários não pode e nem vai parar a luta pela terra. Os criminosos travestidos de autoridades, com cargos e funções obtidos com corrupção e na farsa das eleições pensam que podem afogar em sangue a luta pela terra. Enganam-se senhores, o sangue derramado de nossos companheiros rega a nossa sagrada luta por exterminar o latifúndio e pela entrega das terras para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, seus verdadeiros e legítimos donos.

A LCP rechaça todos os ataques caluniosos lançados sistematicamente pela polícia, governantes e essa 'imprensa' latifundiária venal contra os camponeses pobres, contra a luta pela terra e contra seus abnegados militantes. A LCP reafirma sua posição de defender intransigentemente os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, de lutar com as massas por conquistar a terra para por fim ao secular latifúndio, causa das maiores desgraças do povo pobre, do atraso de nosso país e subjugação da nação por potências estrangeiras.”

“Camponeses pobres do Brasil e de Rondônia: unam-se com a LCP e levantemo-nos em grandes ondas para varrer o latifúndio do mapa, entregando a terra a quem nela vive e trabalha!”.

   
     
   
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